terça-feira, 20 de dezembro de 2011

MINHA VIDA COM MARCOS CARVALHO



Prefácio

Não tenho parado um instante sequer tentando encontrar os assassinos do meu querido Marcos. Não está fácil, pois depois de sua morte, até mesmo os amigos mais próximos, desapareceram ou passaram a fazer fofoquinhas a respeito da vida de quem não está mais vivo para se defender.
O Marcos era um jovem puro, sem máculas e que vivia para o seu trabalho e estudos. Não bebia, fumava e nem freqüentava festas. Tinha temor a Deus. Ele era tudo para mim. Meu braço direito, meu esteio, minha luz. Nada ira substituí-lo em minha vida.

Marcos foi o filho que eu sempre quis ter. Foi um presente de Deus para mim.

Ele era uma pessoa alegre, brincalhona, nunca estava triste. Não tinha vícios. Era desportista, atleta de tiro e diretor da Associação dos Atiradores da Amazônia. Seu hobby era breakdance, um dos segmentos do hip-hop.

A maior parte do seu tempo ele passava comigo, trabalhando na área jurídica da nossa ONG ou na evangelização. Preocupava-se muito com minha saúde. Cobrava-me sempre se eu tinha tomado meus remédios da diabete e da pressão.

O Marcos era uma pessoa determinada, tinha um projeto de vida. Estava inscrito no vestibular da UNAMA. Queria ser advogado e ia chegar lá.
Em seus últimos dias de vida procurou mais a presença de Deus e assumiu o compromisso de ser missionário para servir a Igreja da qual fazia parte.

Inimigos, não tinha, muito pelo contrário, aonde chegava fazia amigos. Estava sempre alegre, não sabia ter raiva ou ódio de quem quer que fosse. Era sincero, verdadeiro, um espírito iluminado, que sempre procurava ajudar o próximo.

Não tinha apego às coisas materiais. Para ele o que importava era ser feliz e ver os outros felizes.

Nossa relação era de pai e filho. Entre nós havia confiança e respeito. Ele não me escondia nada. Conversávamos muito e ele sempre me dizia que depois da sua bisavó, que o criara desde criança, eu era a pessoa mais importante na sua vida. Tenho mensagens no meu celular que ele me enviava e que eu não apaguei que provam isso.

O Marcos nunca se envolveu em nada errado. Como já disse antes ele não tinha vícios, não freqüentava festas e nem se metia em confusões. Era mulherengo, só que estava se aquietando, até porque vinha se preparando para trabalhar como missionário da nossa igreja.

As duas coisas que ele não suportava eram a mentira e homossexuais. Ele propriamente não era homofóbico, apenas dizia ter nojo de pessoas com esse tipo de comportamento. Agora se elas tentassem o assediar aí não dava certo, ele ficava uma fera.

Ele gostava muito da namorada dele, e como um missionário tem que ser casado, ele chegou a cogitar comigo a possibilidade de vir a contrair matrimônio com ela. Como tínhamos que ir a Goiânia e depois São Paulo, agora em dezembro, e só voltaríamos em fevereiro, ele me disse que era o tempo que precisaria para decidir se casava ou não, até porque ela só tem 16 anos.

Filhos, ele queria, muitos, e que fossem mais atentados que ele. 

Eu não vou parar enquanto não colocar os assassinos do meu Marcos na cadeia. A Justiça será feita, doa em quem doer. Não tenho parado um só minuto, estou perto de desvendar esse crime bárbaro e covarde. Foi tão cruel o que fizeram com ele, um jovem de 18 anos, cheio de sonhos, projetos, ter a vida ceifada a troco de nada. Perdoar é fácil, difícil será esquecer. Marcos, meu filho, a medida do meu amor por ti é do tamanho da eternidade.

Escrito por Sérgio Franco

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