quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sérgio fala sobre o Marcos


- Tenho vivido os piores momentos de toda a minha vida. Um vazio muito grande toma conta de mim. A saudade que sinto é uma dor indelével.

- Ele era tudo para mim. Meu braço direito, meu esteio, minha luz. Nada ira substituí-lo em minha vida.

- Marcos foi o filho que eu sempre quis ter. Foi um presente de Deus para mim.

- Ele era uma pessoa alegre, brincalhona, nunca estava triste. Não tinha vícios. Era desportista, atleta de tiro e diretor da Associação dos Atiradores da Amazônia. Seu hobby era breakdance, um dos segmentos do hip-hop.

- A maior parte do seu tempo ele passava comigo, trabalhando na área jurídica da nossa ONG ou na evangelização. Preocupava-se muito com minha saúde. Cobrava-me sempre se eu tinha tomado meus remédios da diabete e da pressão.

- O Marcos era uma pessoa determinada, tinha um projeto de vida. Estava inscrito no vestibular da UNAMA. Queria ser advogado e ia chegar lá.

- Nossa relação era de pai e filho. Entre nós havia confiança e respeito. Ele não me escondia nada. Conversávamos muito e ele sempre me dizia que depois da sua bisavó, que o criara desde criança, eu era a pessoa mais importante na sua vida. Tenho mensagens no meu celular que ele me enviava e que eu não apaguei que provam isso.

- A Mega Bike é uma turma de jovens que montam suas bicicletas e aos fins de semana realizam passeios para balneários, igarapés, Outeiro. Eles também se reúnem todas as noites na Praça da Bíblia na Cidade Nova. Todos esses jovens estudam ou trabalham. Todos são ficha limpa.

- O Marcos nunca se envolveu em nada errado. Como já disse antes ele não tinha vícios, não freqüentava festas e nem se metia em confusões. Era mulherengo, só que estava se aquietando, até porque vinha se preparando para trabalhar como missionário da nossa igreja.

- As duas coisas que ele não suportava eram a mentira e homossexuais. Ele propriamente não era homofóbico, apenas dizia ter nojo de pessoas com esse tipo de comportamento. Agora se elas tentassem o assediar aí não dava certo, ele ficava uma fera.

- Ele gostava muito da namorada dele e como um missionário tem que ser casado, ele chegou a cogitar comigo a possibilidade de vir a contrair matrimônio com ela. Como tínhamos que ir a Goiânia e depois São Paulo, agora em dezembro, e só voltaríamos em fevereiro, ele me disse que era o tempo que precisaria para decidir se casava ou não, até porque ela só tem 16 anos.

- Filhos, ele queria, muitos, e que fossem mais atentados que ele. 

- Eu não vou parar enquanto não colocar os assassinos do meu Marcos na cadeia. A Justiça será feita, doa em quem doer. Não tenho parado um só minuto, estou perto de desvendar esse crime bárbaro e covarde. Foi tão cruel o que fizeram com ele, um jovem de 18 anos, cheio de sonhos, projetos, ter a vida ceifada a troco de nada. Perdoar é fácil, difícil será esquecer. Marcos, meu filho, a medida do meu amor por ti é do tamanho da eternidade.

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