No final dos anos 80 participei do II FEMUCAB (Festival de Música Canta Belém), promovido pelo Serviço Social do Comércio (SESC), com a música Terra Fonteles. Tive problemas com a comunidade de informação por causa dessa minha decisão de homenagear Paulo Fonteles, covardemente assassinado a mando do latifúndio e, como represália, impuseram aos organizadores do evento a participação de um um alto oficial da Marinha para presidir o júri. Contei com o apoio do Antonio Fonteles, irmão de Paulo, falecido este ano. O festival aconteceu no Ginásio Jarbas Passarinho.
Dois nomes da esquerda sempre me fascinaram. Rui Barata e Paulo Fonteles. Com o Rui, construí uma amizade boemia nas noites do Bar do Parque, que sempre terminavam na Adega do Rei.
Certa ocasião no Bar do Parque ele me disse: "Sei que tu me espionas desde a primeira vez que te vi aqui". Rimos muito pois como espião me mostrara um desastre. Gostava mesmo era da boemia, dessa esquerda festiva que entre uma dose e outra esculhambava com o governo.
Já o Paulo Fonteles, me chamara a atenção pela forma combativa com que construiu sua vida e, seu trágico fim, causou em mim indignação e revolta. Sobrevivera as torturas nos porões da ditadura, mas perdeu para o latifúndio covarde, que ainda hoje continua a derramar o sangue de quem só quer terra para trabalhar.
"Foi nesta terra
que tua idéia
eu plantei
e se reforma
ainda é sonho
mas é semente
que com teu sangue
adubei".


Nenhum comentário:
Postar um comentário