segunda-feira, 16 de novembro de 2009


Participamos neste domingo pela manhã do ato público contra a visita de Mahmoud Ahmadinejad, ditador do Irã, que deverá acontecer no próximo dia 23. O ato, que contou com a presença da comunidade judaica no Pará, repetiu-se também nas principais cidades brasileiras. Na minha opinião, Lula vai na contra mão da história, ao receber em nosso País quem nega o direito do ser humano escolher por seu credo, por sua concepção política, por sua orientação sexual.

DEZ RAZÕES PARA DIZERMOS AO PRESIDENTE LULA: AQUI NÃO!

  1. Todos os espaços internacionais que receberam o Sr. Ahmadinejad nos últimos tempos foram usados como plataforma para disseminar mensagens de ódio, que não coincidem com o pensamento do povo brasileiro. Em abril deste ano, ele aproveitou o microfone da conferência da ONU de combate ao racismo em Genebra, para destilar seu veneno. Dezenas de líderes se retiraram da audiência para não ouvir seus insultos. Infelizmente a delegação do Brasil se manteve ali fazendo quórum. Até o secretário geral da ONU lamentou o episódio, afirmando que “nunca tinha assistido a este tipo de comportamento destrutivo numa assembléia, por qualquer país membro”. No Brasil, não aceitaremos discursos que não condigam com o respeito aos direitos humanos!
  2. O governo iraniano tem insistido no desenvolvimento de um programa nuclear, ignorando os apelos da comunidade internacional, que busca um mundo sem armas atômicas e de destruição em massa. Por que será que o Irã ocultou um programa de enriquecimento de Urânio da comunidade internacional por 18 anos, que foi descoberto apenas em 2003, pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica)? Como acreditar nas justificativa de fins pacíficos para o desenvolvimento de um programa nuclear, quando o Chefe da Nação iraniana carrega consigo um discurso belicoso e agressivo?
  3. “No Irã não existem homossexuais”. Essa declaração de Ahmadinejad, realizada durante um discurso na Universidade de Columbia em Nova York, em 2008, contrapõe-se aos milhares de enforcamentos de homossexuais no Irã todos os anos, geralmente em praça pública. Lá a homossexualidade é punida com pena de morte.
  4. As leis do Irã também desrespeitam, dentre outros, o direito à igualdade entre homens e mulheres. Os chamados “crimes de adultério” cometidos por mulheres são punidos com apedrejamento até à morte. Mulheres vítimas de estupro também são condenadas à morte, sob a acusação de terem-no provocado.
  5. O Irã também infringe a Convenção Internacional sobre os Direitos da Infância, da ONU, que proíbe penas capitais a menores de 18 anos ou para crimes cometidos antes desta idade. Lá a responsabilidade penal começa aos 15 para homens e aos 9 para mulheres. A pintora iraniana Delara Darabi foi executada em maio deste ano por um crime supostamente cometido antes dos 18 anos, cujas provas periciais a inocentaram.
  6. Reiteradas vezes, o Sr. Ahmadinejad tem expressado publicamente a negação do assassinato de mais de 6 milhões de pessoas pelo regime nazista durante a II Guerra Mundial onde morreram, sobretudo judeus, mas também ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová e pessoas com deficiência física ou mental. Em dezembro de 2006 ele promoveu em Teerã a Conferência Internacional de Negação do Holocausto. O Brasil, como signatário da Declaração conjunta contra todo tipo de discriminação e racismo, de 16 de dezembro de 2008, na Costa do Sauípe, não pode compactuar com o antissemitismo.
  7. Ahmadinejad tem declarado abertamente seu objetivo de aniquilar um estado democrático, como é o caso de Israel, país que tem dado grande contribuição para o mundo na área da ciência e da tecnologia e com quem o Brasil mantém excelentes relações diplomáticas. Sua intenção é autenticar seu lugar como o maior jihadista por Alá, pelo cumprimento de sua promessa de “riscar Israel do mapa”
  8. No Irã, minorias étnicas (curdos, azerbaijanis, turcos e outros e religiosas (cristãos, evangélicos, judeus, bahá’ís) sofrem graves perseguições e restrições de direitos naquele país. Crescem os casos de cristãos presos por apostasia (mudança de religião). Os bahá’ís, maior minoria religiosa presente no país, sofrem com a implementação de um memorando secreto (revelado pela ONU em 1991 e em vigor até os dias de hoje), assinado pelo Líder Supremo, no qual é definida uma estratégia para sua total eliminação.
  9. A liberdade de expressão também é suprimida no Irã. Diversas ONG’s, jornais, sites de internet e revistas foram fechados à força pelas autoridades iranianas. Em dezembro do ano passado, o governo fechou à força o Centro de Direitos Humanos, fundado pelo prêmio Nobel da Paz, Shirin Ebadi, logo antes da celebração do 60º aniversário da Declaração dos Direitos Humanos. Ebadi é reconhecida por defender casos de direitos humanos, inclusive o das sete lideranças bahá’ís presas desde março de 2008 por motivos de perseguição religiosa.
  10. Nós, o povo brasileiro, não podemos permitir que discursos de intolerância e de violação de direitos humanos sejam ignorados pela diplomacia brasileira. Se o Presidente iraniano vem ao Brasil, ele precisa ser instado a prestar esclarecimentos sobre as questões listadas acima e tantas outras situações que ocorrem em seu país, com o aval e o protagonismo do governo de Ahmadinejad. Todos esses discursos e ações não são isolados na história. Na década de 1930 os mesmos sintomas foram sentidos na Alemanha de Hitler. O desfecho foi o Holocausto. Naquele tempo, eles se calaram. Nós decidimos não calar. Muito menos debaixo dos nossos narizes, em solo brasileiro. Quem cala, consente. Presidente Lula, avise ao Presidente Ahmadinejad que não aceitamos intolerância e exigimos direitos humanos para todas as pessoas, no Brasil, no Irã e no Mundo. Intolerância – AQUI NÃO!

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