terça-feira, 1 de novembro de 2011

O Estado Palestino

Existem hoje, basicamente, entre os judeus cidadãos do Estado de Israel, duas posições bastante claras quanto à questão do estado palestino.

Uma, consagra a ideia de que o Estado de Israel para continuar sendo um estado de direito, democrático e judeu, não pode, sob qualquer hipótese, manter ocupação sobre terras e populações que não façam parte de sua cidadania. Além disso, no bojo desta primeira questão, vem acoplada a ideia de que não há solução possível para o conflito do Oriente Médio que não contemple a solução de dois estados para dois povos, ou seja: um estado judeu para os cidadãos de Israel e um estado palestino para o povo palestino.

O governo de Bibi Nethanyahu vem sendo acusado, inclusive pela minoritária esquerda de seu pais, de ter preterido um partido grande que é o Kadima, em sua coalizão governamental, em favor do Shas que é partido religioso ortodoxo, o qual além de minoritário, faz pender a balança do poder para o seu lado, pelo equilíbrio existente entre o Likud e o Kadima, e ainda sonha com a ideia do Grande e Bíblico Israel. Um estado territorial que inclua a velha Samária acompanhada da também antiga Judéia, as duas margens do rio Jordão com toda a sua população árabe muçulmana e cristã e a região mais ao norte que incluiria também, as Colinas de Golan. Esta hipótese consagraria de fato a situação já existente e contestada por todo o mundo do que se chama hoje, a ocupação dos territórios conquistados na Guerra dos Seis dias de junho de 1967, com uma mega população árabe existente na região.

- Ora, dizem os cidadãos de Israel que querem o exército fora destas terras, - na medida em que o estado judeu anexa este território com tantos árabes, não demora, perdemos a maioria em nosso próprio país que deixará em certo tempo de ser o Estado Judeu. Alegam ainda que na medida em que Israel anexa populações, precisa manter controle e em certas oportunidades, estar obrigado a usar a força, o que não é desejável para a garantia da sua manutenção como estado democrático de direito.

Por outro lado, o que fazem os palestinos? Encontraram o ovo de Colombo para infernizar Israel. Numa das pontas, contam com Ismail Hanieh, o primeiro-ministro palestino, líder do Hamas e um dos mais virulentos oradores e estimuladores do povo palestino que o elegeu em Gaza, contra o vizinho estado judeu. Na outra ponta, dando aulas de competência diplomática, de inteligência e de bom relacionamento, viajando pelo mundo, agradando nas aparições que realiza na ONU e defendendo aparentemente, o diálogo, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, membro da OLP e da Fatah, negador do Holocausto, Mahmoud Abbas. Enquanto o primeiro lança dezenas de foguetes Grad e Qassam contra a cidadania civil israelense, à partir do território de Gaza desocupado unilateralmente por Israel no governo de Ariel Sharon, o segundo, profissional e espertamente, convence o planeta de que os palestinos são humildes, pobres, bons e merecem o seu estado. Vem ganhando de goleada e emplacando seu pensamento na prática, utilizando-se da ONU e dos representantes dos mais diversos países, nos mais variados continentes, para alcançar seu intento.

Quero que meu leitor raciocine junto comigo que sou judeu e quero paz para Israel e para todos os povos. Enquanto grupos de palestinos classificados como terroristas lançam foguetes contra um país constituído, são apenas grupos ligados ao terror. Na medida que estes grupos têm que se compor dentro do espectro político de um Estado Palestino constituído e reconhecido pela ONU e continuam lançando foguetes, esta ação não é mais de grupos e passa a ser a ação política em direção à guerra, de um país que deveria preservar a paz e a convivência com a vizinhança de suas fronteiras. É neste momento que entendo como correto o revide e a ida a guerra de um exército de uma nação politicamente constituída e reconhecida contra uma outra que ao lançar ataques de foguetes, declara esta mesma guerra.

Não há confiança mutua entre Bibi e Abbas e as últimas declarações de ambos são feitas no sentido de lançar a culpa nas costas do adversário e esconder ou a falta de vontade de dialogar ou a incompetência para governarem do patamar de grandes estadistas que também é outra queixa que fazem os dois povos contra seus governantes atuais.

Tanto Judeus quanto árabes palestinos que querem a paz, de verdade, são claros em afirmar que seus dirigentes não são líderes, não tem carisma, não são estadistas e ao invés de pensarem em seus povos, só raciocinam imaginando como colar o bumbum, eternamente na cadeira em que conseguiram sentar-se.

No meio de todo este "imbróglio" o governo de Bibi, por maioria absoluta, decide trocar um por mil e vinte e sete e eleva sua popularidade quase aos píncaros da invencibilidade. Enquanto isso, os partidários do Fatah e a esquerda de Israel, acusam Bibi de com este gesto, ter enfraquecido o próprio Fatah, seu líder Abbas e dado força ao Hamas, e a Hanieh mostrando que o caminho do sequestro é o caminho que liberta terroristas apenados com prisão perpetua e o atendimento às exigências da chantagem enfraquece os dirigentes que querem parlamentar.

Querem a minha opinião?

Paz no Oriente Médio, não tão cedo. Estado Palestino, não agora. Estado de Israel, na corda bamba.

Que venham, em outra geração, os líderes que a paz exige.

Enfim, tristeza!
Ronaldo Gomlevsky
Editor Geral - "MENORAH RAPIDINHAS"
Fale com o editor: clique aqui

Nenhum comentário: