Não vou entrar no campo filosófico, deixo isso para profundo
conhecedores como os amigos Ulisses Vasconcelos e Pedrosa Neto.
O que pretendo expor é meu entendimento sob a questão do
livre-arbítrio, que quer dizer, o juízo livre, a capacidade de escolha pela
vontade humana entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, conscientemente
conhecidos.
Livre-arbítrio
é a condição que Deus dá ao homem para agir e ser livre, com capacidade para
fazer as suas próprias escolhas, inclusive aquelas que não estão de acordo com
a vontade divina. O Eterno tem poder para impedir que o homem faça o bem e o
mal, no entanto deixa o caminho livre, cabendo ao homem decidir, sendo ele
responsável por seus próprios atos.
Essa liberdade de agir
e ser livre, com capacidade para fazer as suas próprias escolhas é o esteio da relação entre o homem
e Deus, ao longo da história da humanidade, e se concretizará no dia do Juízo Final.
Aliás, o que para a religião é mistério, aos olhos do homem
que busca sabedoria nas Sagradas Escrituras, não existem mistérios, e sim
revelações, que surgem ao seu tempo e de acordo com a vontade divina.
Deus nos dá uma amostra bem clara de como será o julgamento
final quando julga Adão, Eva e a serpente.
A sentença é o desterro para um mundo por ele amaldiçoado
onde com muito trabalho e sofrimento o homem teria que viver (Genesis 3,
17-19). O homem foi desterrado da
presença de Deus para formar a humanidade, cujo resultado é todos nós.
Imaginemos então qual será a sentença no dia do Juízo Final aos
desterrados humanos que não souberam conduzir suas vidas da melhor forma
possível, no uso de seu livre arbítrio, transformando-se em serpentes, vivendo
toda espécie de mentira.
Sim, mentira, porque mentir não é só falar o que não existe
ou aconteceu. Mentir é enganar, trair, amaldiçoar, corromper almas, matar,
roubar, ou seja, tudo que vai ao encontro da santidade, exigência para se estar
na presença de Deus.
O livre-arbítrio me permite escolher entre o que é certo,
justo, verdadeiro e praticar isso em minha vida. Também me permite o oposto,
onde determino escolhas erradas e tomo atitudes injustas.
Adão foi covarde em não assumir sua escolha e ainda achou que
podia manipular Deus, colocando sobre Ele a culpa de sua desgraça: "Foi
a mulher que Tu me deste por
companheira que me deu do fruto da árvore, e eu comi" (Genesis 3,12).
Adão fez a escolha errada. Não posso fazer como ele e errar
em minhas decisões, para que não venha a ter que sofrer, muitas vezes nessa
vida mesmo, pelos atos errôneos que pratiquei. E o pior virá depois, no dia do
Juízo Final, quando darei contas de meus atos e, se não estiverem em acordo com
o plano divino, irei para o desterro eterno, onde a misericórdia e o perdão,
que não soube usar em vida, de nada me servirão lá, pois a sentença de Deus é irrevogável.

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