Chanceler alemã caminha ao lado de Max Mannheimer, sobrevivente do campo nazista de Dachau, ao sul da Alemanha
"Temos o dever de não voltar nunca a fechar os olhos para os que
insultam, ameaçam ou agridem aqueles que dizem ser judeus ou defendem
Israel", declarou para centenas de sobreviventes, veteranos americanos e
autoridades políticas reunidos no campo de Dachau, a 17km de Munique.
Depois de citar a "grande honra" de conhecer os sobreviventes da
barbárie nazista, Angela Merkel, nascida nove anos depois do fim da
Segunda Guerra Mundial, insistiu que o judaísmo faz parte da identidade
alemã.
Esta é a primeira vez que Merkel participa em uma
cerimônia em um campo de concentração durante os 12 meses de recordação
do fim da barbárie nazista e, dada a avançada idade dos sobreviventes,
será possivelmente um dos últimos encontros. Ao chegar ao local, Merkel
foi recebida pelo presidente do Conselho Central de Judeus da Alemanha,
Josef Schuster. Ao lado de um deportado francês de 94 anos, Clément
Quentin, a chanceler depositou flores diante de um antigo crematório.
Sobreviventes,
ex-combatentes e políticos percorreram a pé, debaixo de chuva, o
caminho até a praça onde os prisioneiros submetidos a trabalhos forçados
eram contados a cada dia. A presença da chanceler e dos sobreviventes é
"um símbolo de solidariedade", afirmou Schuster.
Com muitos
ex-prisioneiros mortos, o representante judeu fez um apelo pela
manutenção intacta da memória da Shoah. "Com o tempo, a distância
aumenta, a empatia diminui", disse. Em um recado aos jovens, ele
afirmou: "Vocês não têm a culpa, mas carregam a responsabilidade de não
esquecer o horror dos campos".
"Quando os americanos libertaram o
campo, senti como se voltasse a me sentir um ser humano", explicou
outro sobrevivente francês, Jean Samuel, diante de centenas de
convidados de todo o mundo. "Os soldados não conseguiam acreditar no que
viam quando encontraram os corpos nesta fábrica da morte. Eu tinha 21
anos, a guerra roubou minha juventude", completou.
Aberto inicialmente para receber os prisioneiros políticos, Dachau
serviu de modelo de organização para os outros campos da morte, de
Treblinka a Buchenwald. Em 29 de abril de 1945, o campo foi libertado
pelos americanos, que descreveram o horror da solução final. As imagens
de arquivo da época mostram os corpos amontoados e os sobreviventes
atordoados, enfermos e tão magros que mal conseguiam ficar de pé.
"Responsabilidade particular"
No
sábado (2/5), Angela Merkel insistiu na "responsabilidade particular"
da Alemanha, 70 anos depois do fim do Holocausto, no qual seis milhões
de judeus foram exterminados na pior tentativa de eliminação de um povo.
"Nós, os alemães, temos a responsabilidade particular, a de estar
atentos, ser sensíveis e bem informados sobre isto e sobre o que fizemos
sob o nazismo", disse na mensagem de vídeo semanal a chanceler, nascida
em 1954, nove anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial.
Mas o
"Nunca mais!" que a Alemanha prega desde 1945 significa também hoje
"velar para que nossos ideais e nossos valores sejam realmente
respeitados", declarou Merkel, que foi a primeira chefe de Governo do
país a visitar Dachau, em agosto de 2013. A presença de Angela Merkel no
evento foi bem recebida pelos sobreviventes. "É um sinal de amizade
franco-alemã muito importante para a paz na Europa depois da Guerra",
declarou à AFP Clément Quentin.
Nesta cidade da Baviera, no
campo, aberto em 22 de março de 1933 - menos de dois meses depois da
chegada de Hitler ao poder - foi instalada primeiro uma fábrica de
munições, abandonada antes da construção de um grande complexo de
edifícios a partir de 1937. Mais de 206.000 prisioneiros procedentes de
30 países passaram pelo campo, incluindo o ex-primeiro-ministro francês
Léon Blum, que era judeu. Mais de 41.000 foram assassinados ou morreram
vítimas de esgotamento, fome, frio ou malária.
As recordações dos
70 anos de libertação dos campos de concentração começaram em 27 de
janeiro em Auschwitz, na Polônia, ocupada pelos nazistas no período da
guerra.
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