quarta-feira, 25 de novembro de 2015

MAIS DE CINCO SÉCULOS DO VÍRUS INDESTRUTÍVEL DA CORRUPÇÃO


Um pouco de história. A corrupção no Brasil começou no século 16, quando funcionários públicos faziam vista grossa no comércio ilegal de produtos brasileiros, como pau-brasil, tabaco, ouro e diamante. Continuou durante o período escravagista e prosseguiu até 1850, quando o comércio de escravos foi proibido, mas as autoridades brasileiras, à base de propina, faziam de conta que não viam nada errado. Até o ministro da Justiça, usava escravos em suas propriedades. E a corrupção cresceu até 1888, quando da abolição. Não havia interesse em combater o tráfico, porque, afinal, todos lucravam. Menos os negros escravos, é claro. Com Independência, em 1822 e a instauração do Brasil República, outras formas de corrupção, como a eleitoral e a de concessão “negociada” de obras públicas, surgem no cenário nacional. O Visconde de Mauá sabia como utilizar esquemas ilegais para enriquecer. Outros empresários sabiam que, “molhando” a mão de autoridades, teriam grandes lucros. O fim do tráfico negreiro deslocou, na República, o interesse dos grupos oligárquicos para projetos de grande porte, que permitiriam manter a estrutura de ganho fácil.

Com a República, proclamada em 1889, veio o voto de “cabresto”, que durante décadas se tornou a famosa maneira brasileira de corrupção política. A forma mais pitoresca relatada no período foi o voto pelo par de sapatos. No dia da eleição, o votante ganhava um pé do sapato. Só após a apuração das urnas o coronel entregava o outro pé. Veio então o golpe de Getúlio Vargas, que perdeu a eleição no voto e começou uma revolução para tomar o poder, apoiado pela ganância das oligarquias. De lá para cá, já se sabe como a corrupção se arraigou na política e na vida brasileira. Não se tem cura para a doença, mas ao menos a história registra desde quando esse vírus indestrutível tomou conta do nosso país. São mais de cinco séculos de sacanagem. Durará até quando?