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| Dia Internacional do Holocausto - Coisas Judaicas |
A Confederação Israelita do Brasil promoverá no próximo dia 27 de janeiro, às 19 horas, no Edifício-Sede da Ordem dos Advogados do Brasil, em Brasília, a cerimônia do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, solenidade instituída pela ONU.
Além da homenagem aos seis
milhões de judeus assassinados, serão lembrados especialmente Ben
Abraham e Aleksander Laks, falecidos em 2015. Estarão presentes
sobreviventes do Holocausto, representantes de outras comunidades
vítimas do nazismo e de perseguições e autoridades federais, estaduais e
municipais.
A solenidade tem também por
objetivo ligar a lembrança histórica do genocídio nazista à promoção
dos direitos humanos. Neste ano, o tema escolhido pela Conib é o combate
à intolerância.
“A
cerimônia representa um momento importante de reflexão sobre um
capítulo nefasto da história, e de ação para fortalecer a ideia da
democracia no mundo, de respeito às diferenças, para impedir que novos
episódios como aqueles aconteçam”, afirma Fernando Lottenberg,
presidente da Conib.
A data, criada em 2005 pela
Assembleia Geral das Nações Unidas, marca o dia em que tropas
soviéticas libertaram o campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia, em
27 de janeiro de 1945. A ONU, em resolução apoiada pelo Brasil, pede
aos países-membros que elaborem programas de educação sobre o Holocausto
e "condena sem reservas todas as manifestações de intolerância
religiosa, de incentivo ao ódio, de perseguição ou de violência contra
pessoas ou comunidades por causas étnicas ou religiosas e rejeita
qualquer negação do Holocausto como fato histórico".
A Conib realiza uma
alternância entre cidades brasileiras para receber a cerimônia, que em
anos anteriores ocorreu em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre,
Recife, Salvador e também em Brasília. No Rio de Janeiro, em 2015, a
Conib lembrou os 70 anos da libertação de Auschwitz. Em São Paulo, em
2014, a entidade homenageou a FEB pelos 70 anos de seu desembarque na
Itália, para lutar contra o nazifascismo. Em Brasília, em 2013,
homenageou Souza Dantas, embaixador brasileiro na França, e Aracy
Guimarães Rosa, funcionária do consulado em Hamburgo, que salvaram a
vida de centenas de judeus europeus nos anos 30 e 40. Na capital baiana,
em 2012, homenageou também os negros que foram vítimas do Holocausto.
A Conib é o órgão de
representação da comunidade judaica brasileira, composta por cerca de
120 mil pessoas. É uma entidade de caráter apartidário, atuando com base
em princípios como paz, democracia, combate à intolerância e ao
terrorismo, justiça social e diálogo inter-religioso. A Conib representa
os mais diferentes setores da comunidade, independentemente de sua
vertente religiosa ou política. Seu presidente, Fernando Lottenberg, é
advogado, mestre e doutor pela Faculdade de Direito da Universidade de
São Paulo.
Perfis – Sobreviventes do Holocausto que estarão no evento
Nanette Blitz Konig –
Escritora holandesa radicada no Brasil. Colega de escola de Anne Frank,
reencontrou-a no campo de Bergen-Belsen, poucos dias antes de sua
morte. A holandesa é, inclusive, citada no livro da adolescente de
origem judaica (“O Diário de Anne Frank”), morta em um campo de
concentração.
Em seu livro ''Eu sobrevivi ao Holocausto – o comovente relato de uma das últimas amigas vivas de Anne Frank'', ela desmente o mito de que os holandeses ajudaram os judeus e conta sua passagem pelo campo de concentração holandês de Westerbork.
Em seu livro ''Eu sobrevivi ao Holocausto – o comovente relato de uma das últimas amigas vivas de Anne Frank'', ela desmente o mito de que os holandeses ajudaram os judeus e conta sua passagem pelo campo de concentração holandês de Westerbork.
Nanette, de
86 anos, perdeu toda a família em um campo de concentração e não
entende até hoje como conseguiu sobreviver. Quando foi resgatada, pesava
apenas 31 Kg e estava sozinha, sem familiares, ainda adolescente. Levou
três anos para se recuperar do cativeiro – teve tifo, tuberculose e
pleurisia. Ela se estabeleceu definitivamente em São Paulo, no final da
década de 1950, com o marido, John Konig, onde educou os três filhos.
Em 1999, a
escritora, que atualmente tem seis netos e quatro bisnetas, iniciou um
trabalho pela memória do holocausto, ministrando palestras, em que conta
a própria história e a de judeus durante a II Guerra Mundial.
Julio Gartner (87 anos) – Passou por cinco campos de trabalhos forçados. Estava no gueto de
Cracóvia quando este foi destruído (episódio mostrado no filme “A Lista
de Schindler”). Escapou da morte sete vezes. Sua história é contada no
filme “Sobrevivi ao Holocausto”, de Marcio Pitliuk.
Julio foi perseguido por
ser judeu na Polônia. Só foi libertdo um dia antes do fim da Segunda
Guerra Mundial. Diz que só sobreviveu porque um ataque americano
destruiu trens que traziam comida para os alemães e ele, pesando 30 kg,
foi um dos prisioneiros comissionados a tentar consertar os trilhos.
"Derrubaram tonelada de cevada, que colocávamos dentro das nossas calças
e comíamos escondido". Mora há 70 anos em São Paulo.
George Legmann –
Foi um dos poucos bebês a nascer e sobreviver dentro de um campo de
concentração, o de Dachau, próximo a Munique. É o mais jovem
sobrevivente do Holocausto que vive no Brasil.
Raymond Frajmund –
Nascido na Bélgica, foi preso pelos nazistas em 1942, com 15 anos de
idade. Sobreviveu a Auschwitz e à Marcha da Morte, percurso feito a pé
pelos prisioneiros entre os campos de extermínio de Auschwitz e
Birkenau, no rigoroso inverno europeu, poucos dias antes da chegada dos
soviéticos. Em 1953, mudou-se para o Brasil, onde fez carreira como
fotógrafo. Em 1960, incentivado pelo jornalista Cláudio Abramo,
empregou-se na sucursal do Estadão em Brasília. Em 1964, ganhou o Prêmio
Esso de Fotografia pelo flagrante do tiro disparado pelo senador
alagoano Arnon de Mello no Senado Federal.
Homenageados na cerimônia do dia 27 (eles faleceram em 2015):
Henry Nekrycz
Mais conhecido pelo pseudônimo de Ben Abraham, nasceu em Lodz, na Polônia. Sobreviveu ao gueto de sua cidade natal e aos campos de concentração durante a ocupação nazista. Depois de passar pelos campos de Brauschweig, Watenstadt e Ravensbruck entre 1943 e 1945, acabou confinado em Auschwitz, onde sua família foi dizimada. Entre 200 parentes, apenas ele e um primo sobreviveram. Foi libertado em 1945 pesando 28 quilos, com tuberculose nos dois pulmões, escorbuto e disenteria com sangue. Escreveu dezenas de livros e deu palestras no Brasil e no exterior, inclusive na Alemanha. Sua esposa, Miriam Nekrycz, estará no evento.
Mais conhecido pelo pseudônimo de Ben Abraham, nasceu em Lodz, na Polônia. Sobreviveu ao gueto de sua cidade natal e aos campos de concentração durante a ocupação nazista. Depois de passar pelos campos de Brauschweig, Watenstadt e Ravensbruck entre 1943 e 1945, acabou confinado em Auschwitz, onde sua família foi dizimada. Entre 200 parentes, apenas ele e um primo sobreviveram. Foi libertado em 1945 pesando 28 quilos, com tuberculose nos dois pulmões, escorbuto e disenteria com sangue. Escreveu dezenas de livros e deu palestras no Brasil e no exterior, inclusive na Alemanha. Sua esposa, Miriam Nekrycz, estará no evento.
Aleksander Henrik Laks
Nascido na Polônia, foi
levado ainda criança para o campo de extermínio de Auschwitz. Logo na
entrada, foi separado da mãe e nunca mais a viu. Junto com o pai, sofreu
o frio e a fome a que eram submetidos os judeus no campo. Antes de
morrer em seus braços, seu pai o fez prometer que ele faria tudo para
sobreviver e que dedicar-se-ia a contar o que viu. Laks foi presidente
da Associação de Sobreviventes do Holocausto no Rio e deu inúmeras
palestras em escolas, igrejas e outras instituições. Seu filho, Jerson Laks, estará no evento.
Maiores informações:
Liane Gotlib Zaidler
Email: lianegz@terra.com.br
Tel: (11) 3862.8258
Cel: (11) 9.8277.0606
