Hoje me deitei pensando em ti e vi como eras formosa, linda, encantadora.
Em todos que te conheciam despertavas uma paixão incontida.
Eras muito amada pelos teus filhos e deles cuidavas com extremado zelo e carinho.
Até no além-mar eras conhecida, pois teus rebentos por lá te exaltavam em verso e prosa.
O luxo e o glamour foram a essência de tua Belle Époque.
Como em um passe de mágica me tomas pelas mãos e me levas num passeio no tempo até as matinês do cinema Olympia, pela Praça das Sereias, Bar do Parque, o Teatro da Paz.
Por ruas cheios de belos casarões caminhamos e no Paris N’America demos uma paradinha.
De lá descemos até o boulevard e ouvíamos os gritos dos que na Casa do Haver-o-Peso vendem suas “mandingas” e perfumavam o ar com o cheiro das ervas que saiam de tuas entranhas.
Mostras-me o igarapé do Piri, que deságua na Baía, batizada “do Guajará”, e de onde se vislumbra a desembocadura do caudaloso rio Guamá.
Vejo o Forte, que foi do Castelo e hoje é o presépio, o Colégio e a Igreja dos Jesuítas, olho o esplendor da Catedral.
Como eras linda, meiga, amada dos Casares Rômulo e Augusto.
Foi um sonho, pois ao deparar-me com tua realidade, te vejo como uma velha prostituta, jogada ao léu e que abandonou seus filhos ao relento.
No mormaço de tuas tardes, que outrora era acalentado pela chuvas das duas, olho a que ponto chegastes.
Uma quatrocentona, imunda, inculta, sem respeito por si própria e pelos teus curumins.
Teus filhos, a muito perderam a educação e, sem saúde, perambulam pelas santas casas da vida.
Teus tuneis verdes se tornaram cinzas de um passado que cada vez mais fica tão distante.
Teus encantos, quem em tantos cantos se cantou, hoje são restos de uma memória esquecida.
Teus amados se corromperam enquanto tu, surda e muda, deixastes eles te governarem.
E a fé que teus filhos carregam nos outubros, calejaram as mãos na pesada corda com que puxam a única esperança que ainda lhes resta.
Parabéns flor do meu Grão Pará!
Parabéns, mesmo imerecido, pois sei que aqui tudo se renova e a vida se transforma a cada dia que vivo em ti.
Parabéns Cidade Morena, das Mangueiras, dos Cabanos, da Fafá, do Paranatinga, do égua pai d’égua, das Mundicas, das Marias de Nazaré, da Matinha, do Palácio dos Bares, do Grande Hotel, da velha Cidade Velha.
Do Coreto que fugiu para Paris e no seu lugar colocaram uma concha que serve de mortalha para o Largo de Nazaré.
Só saudade. Só lembranças.
Mesmo assim não deixo de te amar.
Nas minhas veias não correm sangue e sim açaí.
No meu falar não tem você e sim tu.
No meu viver não tem outra, só a minha flor, minha Belém, minha velha amante, que sorri, cada vez que jogo pedras no seu quintal de mangueiras, querendo seu doce fruto saborear.
Um beijo jambu, para que teus lábios tremam, minha Belém do Pará.
Em todos que te conheciam despertavas uma paixão incontida.
Eras muito amada pelos teus filhos e deles cuidavas com extremado zelo e carinho.
Até no além-mar eras conhecida, pois teus rebentos por lá te exaltavam em verso e prosa.
O luxo e o glamour foram a essência de tua Belle Époque.
Como em um passe de mágica me tomas pelas mãos e me levas num passeio no tempo até as matinês do cinema Olympia, pela Praça das Sereias, Bar do Parque, o Teatro da Paz.
Por ruas cheios de belos casarões caminhamos e no Paris N’America demos uma paradinha.
De lá descemos até o boulevard e ouvíamos os gritos dos que na Casa do Haver-o-Peso vendem suas “mandingas” e perfumavam o ar com o cheiro das ervas que saiam de tuas entranhas.
Mostras-me o igarapé do Piri, que deságua na Baía, batizada “do Guajará”, e de onde se vislumbra a desembocadura do caudaloso rio Guamá.
Vejo o Forte, que foi do Castelo e hoje é o presépio, o Colégio e a Igreja dos Jesuítas, olho o esplendor da Catedral.
Como eras linda, meiga, amada dos Casares Rômulo e Augusto.
Foi um sonho, pois ao deparar-me com tua realidade, te vejo como uma velha prostituta, jogada ao léu e que abandonou seus filhos ao relento.
No mormaço de tuas tardes, que outrora era acalentado pela chuvas das duas, olho a que ponto chegastes.
Uma quatrocentona, imunda, inculta, sem respeito por si própria e pelos teus curumins.
Teus filhos, a muito perderam a educação e, sem saúde, perambulam pelas santas casas da vida.
Teus tuneis verdes se tornaram cinzas de um passado que cada vez mais fica tão distante.
Teus encantos, quem em tantos cantos se cantou, hoje são restos de uma memória esquecida.
Teus amados se corromperam enquanto tu, surda e muda, deixastes eles te governarem.
E a fé que teus filhos carregam nos outubros, calejaram as mãos na pesada corda com que puxam a única esperança que ainda lhes resta.
Parabéns flor do meu Grão Pará!
Parabéns, mesmo imerecido, pois sei que aqui tudo se renova e a vida se transforma a cada dia que vivo em ti.
Parabéns Cidade Morena, das Mangueiras, dos Cabanos, da Fafá, do Paranatinga, do égua pai d’égua, das Mundicas, das Marias de Nazaré, da Matinha, do Palácio dos Bares, do Grande Hotel, da velha Cidade Velha.
Do Coreto que fugiu para Paris e no seu lugar colocaram uma concha que serve de mortalha para o Largo de Nazaré.
Só saudade. Só lembranças.
Mesmo assim não deixo de te amar.
Nas minhas veias não correm sangue e sim açaí.
No meu falar não tem você e sim tu.
No meu viver não tem outra, só a minha flor, minha Belém, minha velha amante, que sorri, cada vez que jogo pedras no seu quintal de mangueiras, querendo seu doce fruto saborear.
Um beijo jambu, para que teus lábios tremam, minha Belém do Pará.
