“À frente da Universidade, que é o
terceiro maior orçamento público do Pará, ficando atrás apenas no
Governo do Estado e da Prefeitura de Belém, Maneschy implantou uma
gestão de qualidade com reforma dos laboratórios e demais instalações
físicas, ampliação de vagas e expansão da UFPA de 27 para 65 municípios
paraenses, ou seja, ele mais que dobrou o número de campis (sic) em 7
anos.” – Biografia de Carlos Maneschy (PMDB), no site oficial do
candidato
O ex-reitor da Universidade Federal
do Pará (UFPA) e candidato à prefeitura de Belém pelo PMDB, Carlos
Maneschy, anunciou na biografia disponível no seu site oficial
que mais que dobrou o número de campi da Universidade, ao tratar da
expansão das atividades da instituição no interior do estado. Mas a
afirmação não procede: durante a sua gestão, de 2009 até maio de 2015 –
quando renunciou ao cargo para se candidatar a prefeito –, apenas dois
campi foram criados, um em Ananindeua (2013), na Região Metropolitana de
Belém, e outro em Salinópolis (2013), na região nordeste do Pará.
Além desse dois campi criados
recentemente, há mais 10 campi: em Belém, criado em 1957, Castanhal
(1978), Soure (1986), Abaetetuba (1987), Altamira (1987), Bragança
(1987), Cametá (1991), Capanema (1996), Tucuruí (2005) e Breves (2006).
Os campi criados quando o candidato era reitor da UFPA até hoje não têm infraestrutura própria. Atualmente, as
aulas em Salinópolis ocorrem na Escola Municipal Professor Doutor
Carlos Alberto Dias, espaço cedido pela prefeitura local; e em,
Ananindeua, na sede de uma faculdade localizada na BR-316. A assessoria
da UFPA informou que as primeiras obras de ambos já foram entregues, mas
são espaços administrativos. A previsão é que os primeiros laboratórios
e salas de aula fiquem prontos entre 2017 e 2018, o que depende do
repasse do governo federal.
A assessoria do candidato não
informou a fonte de dados usadas para a afirmação do candidato em sua
biografia mas o texto da biografia foi alterado no site após a
solicitação de esclarecimentos feita pelo Truco Eleições 2016 – projeto
de fact-checking da agência Pública, em Belém feito em parceria com Outros400.
Onde dizia que Maneschy “mais que dobrou o número de campis (sic) em 7
anos”, agora aparece que “ele mais que dobrou o número de polos em 7
anos”.
De acordo com o estatuto da Universidade, campus é uma “unidade
regional instalada em determinada área geográfica, com autonomia
administrativa e acadêmica”. Já para ser considerado polo, segundo a assessoria da Universidade, basta existir um
curso de graduação da UFPA no município, mesmo que ofertado uma única
vez em instalações cedidas pelas prefeituras locais. A assessoria também
informou que existem polos em 67 cidades, de acordo com dados da Pró-reitoria de Ensino de Graduação (Proeg). Essa
presença não ocorre de maneira continuada e fixa em todos os
municípios, o que não caracteriza, portanto, 65 campi, como Maneschy
apresentou na biografia que até então constava em seu site.
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| Primeira versão do texto da biografia, que informa dado enganoso: Maneschy não dobrou o número de campi da UFPA |
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| Segunda versão do texto informa dado correto, com a atuação da UFPA em mais de 65 polos no interior do Estado |

