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| Cubanos e ugandense (os três à direita da foto) rezam no acampamento da Shalom. Foto: Divulgação. |
Um projeto de intercâmbio e inclusão da Comunidade Shalom, de São Paulo,
trouxe ao país para participação em seu acampamento Noam (que é o Movimento
Juvenil Massorti da Shalom) os jovens Ruth Munghono, da Comunidade Massorti
[Conservadora] de Uganda, e Davi Canler e Abel Eskenazi, da comunidade judaica
de Cuba.
O objetivo do encontro, promovido semestralmente pela Shalom, é formar
educadores e líderes, cidadãos responsáveis e judeus comprometidos.
Participaram 135 jovens e crianças, com idade entre 7 e 16 anos, e 25 madrichim [coordenadores], além dos
rabinos e equipe de apoio.
A ideia de integrar jovens cubanos com a comunidade judaica brasileira
surgiu após a visita de Fernando Lottenberg, presidente da Conib, e Eduardo
Wurzmann, secretário-geral, a Cuba em fevereiro deste ano, para um seminário
que teve como tema “A Reconstituição da Vida Cultural Judaica na América
Latina”. Foi o primeiro evento dessa natureza em Cuba desde 1959, e a Conib
prometeu apoiar a comunidade judaica local. A Conib encarregou-se dos trâmites
políticos e diplomáticos para viabilizar a vinda dos dois jovens cubanos,
enquanto a Comunidade Shalom encarregou-se das passagens aéreas, acomodação e
da estada no Brasil.
No final de 2015, uma madrichá do Noam esteve em Uganda e fez contato
com os judeus de lá. O rabino Gershom Sizomu pediu-lhe ferramentas para trabalhar
com a juventude. A Shalom trouxe então Ruth, uma das coordenadoras do grupo que
reúne 450 jovens judeus nos fins de semana.
“Todos aprenderam muito, mas nós ainda mais do que os visitantes”, disse
o rabino Adrián Gottfried, líder religioso da Comunidade Shalom. “Nossos jovens
viram que, mesmo em comunidades muito pequenas, é possível ter uma vida judaica
criativa. Os cubanos nos ensinaram danças israelenses com música caribenha;
Ruth montou um workshop de quipás. E todos aprenderam que os judeus são muito
diversos”, prosseguiu.
“Para os visitantes, foi o primeiro contato com uma comunidade grande.
Os cubanos ficaram surpresos ao ver jovens com instrumentos musicais na
cerimônia de Shabat. Também desconheciam as melodias de nossa reza: foi um contato
com uma tradição judaica diferente. Além disso, Davi Canler rompeu rapidamente
a barreira da língua e participou ativamente da preparação das atividades”,
acrescentou o rabino.
“Os pais de nossos jovens ficaram muito contentes com o resultado do
encontro e prometeram apoiar novas iniciativas. Em janeiro, vamos tentar trazer
duas jovens cubanas para o acampamento de verão”, concluiu Gottfried.
Mariana Iguelka, uma das madrichot do Noam, explicou que o acampamento
deu continuidade ao intercâmbio entre seus coordenadores, sobretudo nos países
da América Latina. Com o tema “Volta ao Mundo”, ele permitiu discussão de
assuntos como o extremismo, entre os mais velhos, e diferenças culturais, entre
os menores.
“Senti que, mesmo fazendo parte de comunidades muito pequenas, eles têm
a mesma vontade de educar. Estamos todos juntos pela mesma causa”, disse
Mariana.
Para Eduardo Wurzmann, secretário-geral da Conib, as comunidades
judaicas devem ser “um espaço solidário de convivência e ressignificação. Elas
configuram um espaço presencial e virtual que orienta, inspira e estimula as
pessoas”.
A comunidade judaica cubana já contou com 20 mil membros e hoje possui
1.200, divididos entre Havana, Guantánamo e outras cidades do interior da ilha.
Os 3.000 judeus de Uganda são conhecidos como Abayudaya. A prática do
judaísmo foi proibida pelo ditador Idi Amin Dada (1971-1979), quando o líder
comunitário era o avô do rabino. Gershom Sizomu estudou rabinato em Los Angeles e voltou a Uganda para
organizar a vida judaica.
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| Dança israelense ao som de música caribenha. Foto:Divulgação. |
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| Ruth Munghono faz workshop de confecção de quipás. Foto: Divulgação. |
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| Rabino Gottfried, Abel Eskenazi e Davi Canler, da comunidade judaica de Cuba, e rabino Yonatan Szewkis. Foto: Divulgação. |
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| Adrián e Mariana Gottfried com Ruth Munghono. Foto: Divulgação. |
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| Mariana Iguelka com Abel e Davi. Mais à direita, Ruth. Foto: Divulgação. |





