quarta-feira, 27 de julho de 2016

Jovens de Cuba e Uganda participam de acampamento judaico em São Paulo


Cubanos e ugandense (os três à direita da foto) rezam no acampamento da Shalom. Foto: Divulgação.

Um projeto de intercâmbio e inclusão da Comunidade Shalom, de São Paulo, trouxe ao país para participação em seu acampamento Noam (que é o Movimento Juvenil Massorti da Shalom) os jovens Ruth Munghono, da Comunidade Massorti [Conservadora] de Uganda, e Davi Canler e Abel Eskenazi, da comunidade judaica de Cuba.

O objetivo do encontro, promovido semestralmente pela Shalom, é formar educadores e líderes, cidadãos responsáveis e judeus comprometidos. Participaram 135 jovens e crianças, com idade entre 7 e 16 anos, e 25  madrichim [coordenadores], além dos rabinos e equipe de apoio.

A ideia de integrar jovens cubanos com a comunidade judaica brasileira surgiu após a visita de Fernando Lottenberg, presidente da Conib, e Eduardo Wurzmann, secretário-geral, a Cuba em fevereiro deste ano, para um seminário que teve como tema “A Reconstituição da Vida Cultural Judaica na América Latina”. Foi o primeiro evento dessa natureza em Cuba desde 1959, e a Conib prometeu apoiar a comunidade judaica local. A Conib encarregou-se dos trâmites políticos e diplomáticos para viabilizar a vinda dos dois jovens cubanos, enquanto a Comunidade Shalom encarregou-se das passagens aéreas, acomodação e da estada no Brasil.

No final de 2015, uma madrichá do Noam esteve em Uganda e fez contato com os judeus de lá. O rabino Gershom Sizomu pediu-lhe ferramentas para trabalhar com a juventude. A Shalom trouxe então Ruth, uma das coordenadoras do grupo que reúne 450 jovens judeus nos fins de semana.

“Todos aprenderam muito, mas nós ainda mais do que os visitantes”, disse o rabino Adrián Gottfried, líder religioso da Comunidade Shalom. “Nossos jovens viram que, mesmo em comunidades muito pequenas, é possível ter uma vida judaica criativa. Os cubanos nos ensinaram danças israelenses com música caribenha; Ruth montou um workshop de quipás. E todos aprenderam que os judeus são muito diversos”, prosseguiu.

“Para os visitantes, foi o primeiro contato com uma comunidade grande. Os cubanos ficaram surpresos ao ver jovens com instrumentos musicais na cerimônia de Shabat. Também desconheciam as melodias de nossa reza: foi um contato com uma tradição judaica diferente. Além disso, Davi Canler rompeu rapidamente a barreira da língua e participou ativamente da preparação das atividades”, acrescentou o rabino.

“Os pais de nossos jovens ficaram muito contentes com o resultado do encontro e prometeram apoiar novas iniciativas. Em janeiro, vamos tentar trazer duas jovens cubanas para o acampamento de verão”, concluiu Gottfried.

Mariana Iguelka, uma das madrichot do Noam, explicou que o acampamento deu continuidade ao intercâmbio entre seus coordenadores, sobretudo nos países da América Latina. Com o tema “Volta ao Mundo”, ele permitiu discussão de assuntos como o extremismo, entre os mais velhos, e diferenças culturais, entre os menores.

“Senti que, mesmo fazendo parte de comunidades muito pequenas, eles têm a mesma vontade de educar. Estamos todos juntos pela mesma causa”, disse Mariana.

Para Eduardo Wurzmann, secretário-geral da Conib, as comunidades judaicas devem ser “um espaço solidário de convivência e ressignificação. Elas configuram um espaço presencial e virtual que orienta, inspira e estimula as pessoas”.

A comunidade judaica cubana já contou com 20 mil membros e hoje possui 1.200, divididos entre Havana, Guantánamo e outras cidades do interior da ilha.
Os 3.000 judeus de Uganda são conhecidos como Abayudaya. A prática do judaísmo foi proibida pelo ditador Idi Amin Dada (1971-1979), quando o líder comunitário era o avô do rabino. Gershom Sizomu estudou rabinato  em Los Angeles e voltou a Uganda para organizar a vida judaica.

Dança israelense ao som de música caribenha. Foto:Divulgação.
Ruth Munghono faz workshop de confecção de quipás. Foto: Divulgação.
Rabino Gottfried, Abel Eskenazi e Davi Canler, da comunidade judaica de Cuba, e rabino Yonatan Szewkis. Foto: Divulgação.
Adrián e Mariana Gottfried com Ruth Munghono. Foto: Divulgação.
Mariana Iguelka com Abel e Davi. Mais à direita, Ruth. Foto: Divulgação.